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Dias ensolarados, nublados, chuvosos, frios, quentes... Eu e você encontramos essas variações no nosso cotidiano e, em cada uma dessas estações, encontramos uma forma de lidar com elas. Nos agasalhamos, usamos guarda-chuvas ou camisetas. Uso essa analogia para afirmar que os estados de humor também variam de acordo com as situações que passamos na vida. Há eventos que muito nos entristecem – perdas, acontecimentos trágicos perto ou longe de nós, projetos que dão errado –, outros muito nos alegra – o nascimento de um bebê, a aprovação em um concurso, a visita de um parente distante, a paixão ou o enamoramento... Há momentos em que estamos alegres ou tristes por tudo ou por nada. Esses estados são considerados por nós, psicólogos, como fenômenos existenciais, eles fazem parte da vida humana, o que quer dizer que, em última análise, eu e você, em algum momento passaremos por sofrimento, dor ou dificuldades, diante dos quais, provavelmente, sentiremos uma tristeza sombria (que pode até parecer interminável) que nos fará chorar e, por vezes, chorar muito, dias e dias. Esse estado nós denominamos de depressividade, uma tristeza plausível diante de uma dura realidade. Mas não só de lágrimas vive o homem.  Passamos, também, por alegrias, prazeres ou realizações, que nos levam a estados denominados de euforia, picos de intenso prazer que nos provocam risos e gargalhadas. Sentir essas emoções faz bem à saúde mental e é diferente do que ouvimos falar sobre Depressão, que se refere a um transtorno, ou seja, uma doença. O DSM-V define os transtornos depressivos como “presença de humor triste, vazio ou irritável, acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam significativamente a capacidade de funcionamento do indivíduo”. Isso significa afirmar que quando alguém é acometido por depressão, haverá um forte sentimento de desesperança que lhe impedirá de desenvolver suas tarefas normalmente, afetando sua funcionalidade diante da vida. Duração, ocasião e causa são determinantes fundamentais para se atestar ou não o transtorno depressivo. Por exemplo, diante da morte de um ente querido, pode-se sentir uma tristeza intensa durante algumas semanas ou até meses. Temos aqui uma situação em que um evento ocasionou o rebaixamento do humor, mas a persistência deste por longo tempo pode terminar uma passagem da depressividade (estado de tristeza) para o surgimento do transtorno depressivo. Em casos como esse, um conjunto de medidas deve ser tomado para reestabelecer a saúde psíquica. O psiquiatra é a especialidade médica indicada para prescrever medicações que ajudem a estabilizar o humor e os psicólogos procedem a psicoterapia para colaborar para uma revisão dos valores e dos sentidos de viver, para proporcionar um bem-estar duradouro. Essa é a forma de tratamento adequada do transtorno depressivo. No entanto, o ideal é que, percebendo sinais de tristeza ou euforia excessivos, de imediato se procure por um psicólogo para evitar ou prevenir o desenvolvimento dos transtornos (doenças). Portanto, lembre-se, entre lágrimas ou sorrisos, cuide-se, pois o mais importante da vida é ter saúde.