21 December 2015 - Por Equipe Capeia Azul

Alimente as crianças com amor e os medos morrerão de fome!

O mais interessante de assumir a educação emocional das nossas crianças é que através dela alteramos a química dos seus cérebros, ou seja, estamos oferecendo a elas a possibilidade de controlar a sua biologia.

A influência negativa e penetrante dos meios de comunicação, as práticas educativas pouco acertadas e a falta de respeito nas escolas ou na sociedade estão diminuindo as capacidades emocionais das nossas crianças.

Podemos aceitar que é inevitável que certos tipos de mudanças sociais aconteçam, mas o que temos em nossas mãos são ferramentas para potencializar sua saúde emocional. O que podemos fazer? É muito simples, vejamos…

Que um sorriso lhe sirva de guarda-chuva
Sabendo que a serotonina é o hormônio principal na regulação do nosso humor, podemos ajudar o nosso cérebro a produzi-la de uma maneira natural. Para regular seus níveis no organismo basta manter uma dieta saudável, dormir uma quantidade adequada de horas todas as noites e fazer exercícios regularmente.
Ou seja, para termos uma correta saúde emocional devemos implementar estes hábitos em nossas vidas diárias. Dessa maneira, vamos conseguir que nosso cérebro se encontre nas condições ideais para evitar as sobrecargas de energia que surgem do estresse e dos medos.
Cabe apontar, como curiosidade, que pesquisadores renomados afirmam que pedir que as nossas crianças sorriam e dizer a elas que as coisas irão melhorar é verdadeiramente útil. De fato, os seres humanos podem equilibrar os níveis de serotonina com um simples sorriso.

Brincar é o trabalho das crianças
O que comentamos até agora deve confirmar a ideia de que as pequenas coisas são muito importantes. Se há uma forma através da qual podemos articular a aprendizagem emocional infantil é através da brincadeira.

A melhor forma de ensinar a elas habilidades que as permitam administrar suas emoções é através das brincadeiras, pois conseguiremos brindar a elas a oportunidade de aprender e de praticar novas maneiras de sentir, de pensar e de agir.

Além disso, podemos nos converter em parte integral do processo de aprendizagem emocional de uma maneira tremendamente eficiente. De fato, depois de introduzirmos uma dinâmica atrativa, a curiosidade e a repetição que as crianças possuem e solicitam farão o resto do trabalho.

Por exemplo, quando um menino ou menina enfrenta um medo, é bom ajudá-los para que se sintam identificados com um personagem de ficção que admirem. Dessa maneira, podemos brincar com eles imaginando o que fariam se estivessem no lugar do seu ídolo.
Se articularmos uma série de brincadeiras desse tipo ou de outros, como as marionetes, o relaxamento ou a exploração corporal, conseguiremos que as crianças adquiram as habilidades necessárias para administrar suas emoções.
Isso também contribuirá para que elas desenvolvam o autoconhecimento, que estimulará seu interesse por trabalhar aspectos cuja complexidade ainda não é compreendida. Graças a isso fomentaremos o desenvolvimento de uma autoestima saudável apoiada no respeito por si mesmo.

Chaves para aumentar as habilidades emocionais das crianças
Como já dissemos anteriormente, às vezes é muito simples conseguir que nossas crianças cresçam de maneira equilibrada. Basta alimentá-los com amor para que seus medos e seus problemas emocionais morram de fome. Vejamos a seguir como podemos fazer isso em 3 simples passos…

1. Oferecer um lar, um lugar no qual se sintam protegidas e abrigadas
Um lar é criado a partir das emoções das pessoas que o compõem. As centenas de brinquedos em seus quartos não servem para nada se não compartilharmos com eles nosso amor através de gestos de carinho e de cuidado.

2. Falar com elas de maneira carinhosa
Quando as crianças fazem alguma coisa errada ou se comportam de maneira agressiva estamos acostumados a empregar estratégias de rejeição. Alguns exemplos são dizer “Não te amo mais” ou “Você é muito malvado”. Entretanto, desta maneira elas não irão entender que o que está errado é o que fizeram, e não o seu valor próprio.
Por essa razão, as mensagens que devemos transmitir a elas são do tipo “Não está certo o que você fez”. Assim, não iremos diminuir a sua autoestima nem colocar em dúvida nossos sentimentos por elas.

3. Dar a elas o nosso tempo, nosso interesse e o desejo de aproveitar os desafios que nos propõem
O que nossas crianças enxergam em nós, para elas, não está presente em mais ninguém. Por isso, é indispensável dedicar nosso tempo e nosso interesse genuíno a elas, e oferecer uma visão do seu mundo de maneira amorosa e incondicional.

Fonte: www.amenteemaravilhosa.com

30 November 2015 - Por WAGNER BRENNER

O que acontece quando você fica elogiando a inteligência de uma criança?

Gabriel é um menino esperto.
Cresceu ouvindo isso.

Andou, leu e escreveu cedo.

Vai bem nos esportes.

É popular na escola e as provas confirmam, numericamente e por escrito, sua capacidade.

“Esse menino é inteligente demais”, repetem orgulhosos os pais, parentes e professores. “Tudo é fácil pra esse malandrinho”.

Porém, ao contrário do que poderíamos esperar, essa consciência da própria inteligência não tem ajudado muito o Gabriel nas lições de casa.

– “Ah, eu não sou bom para soletrar, vou fazer o próximo exercício”.

Rapidamente Gabriel está aprendendo a dividir o mundo em coisas em que ele é bom, e coisas em que ele não é bom.

A estratégia (esperta, obviamente) é a base do comportamento humano: buscar prazer e evitar a dor. No caso, evitar e desmerecer as tarefas em que não é um sucesso e colocar toda a energia naquelas que já domina com facilidade.

Mas, como infelizmente a lição de casa precisa ser feita por inteiro, inclusive a soletração, de repente a auto-estima do pequeno Gabriel faz um… crack.

Acreditar cegamente na sua inteligência à prova de balas, provocou um efeito colateral inesperado: uma desconfiança de suas reais habilidades.

Inconscientemente ele se assusta com a possibilidade de ser uma fraude, e para protegê-lo dessa conclusão precipitada, seu cérebro cria uma medida evasiva de emergência: coloca o rótulo dourado no colo, subestima a importância do esforço e superestima a necessidade de ajuda dos pais.

A imagem do “Gabriel que faz tudo com facilidade” , a do “Gabriel inteligente” (misturada com carinho), precisa ser protegida de qualquer maneira.

Gabriel não está sozinho. São muitos os prodígios, vítimas de suas próprias habilidades de infância e dos bem intencionados e sinceros elogios dos adultos.

Nos últimos 10 anos foram publicados diversos estudos sobre os efeitos de elogios em crianças.

Um teste, realizado nos Estados Unidos com mais de 400 crianças da quinta série (Carol S. Dweck / Ph.D. Social and Developmental Psychology / Mindset: The New Psychology of Success), desafiava meninos e meninas a fazer um quebra-cabeças, relativamente fácil.

Quando acabavam, alguns eram elogiados pela sua inteligência (“você foi bem esperto, hein!) e outros, pelo seu esforço (“puxa, você se empenhou pra valer hein!”).

Em uma segunda rodada, mais difícil, os alunos podiam escolher entre um novo desafio semelhante ou diferente.

A maioria dos que foram elogiados como “inteligentes” escolheu o desafio semelhante.

A maioria dos que foram elogiados como “esforçados” escolheu o desafio diferente.

Influenciados por apenas UMA frase.

O diagrama acima mostra bem as diferenças de mentalidade e o que pode acontecer na vida adulta.

O Malcom Gladwell tem um ótimo livro sobre a superestimação do talento, chamado “Fora de Série” (“outliers”). Lá aprendi sobre a lei das 10 mil horas, tempo necessário para se ficar bom em alguma coisa e que já ensinei pro meu filho.

Se você tem um filho, um sobrinho, ou um amigo pequeno, não diga que ele é inteligente. Diga que ele é esforçado, aventureiro, descobridor, fuçador, persistente.
Celebre o sucesso, mas não esqueça de comemorar também o fracasso seguido de nova tentativa.

Fonte:http://www.contioutra.com/o-que-acontece-quando-voce-fica-elogiando-a-inteligencia-de-uma-crianca/

23 November 2015 - Por Equipe Capeia Azul

Um outro olhar

A palavra autismo foi cunhada pelo legendário psiquiatra Eugen Bleuler, para se referir a um dos sintomas da esquizofrenia. Apenas em 1943, com o trabalho de Leo Kanner, psiquiatra austríaco radicado nos EUA, passou a designar um transtorno diferenciado.

Desde então, o autismo tem desafiado gerações de cientistas e terapeutas, devido ao comportamento estranho e frequentemente paradoxal das pessoas que têm seu desenvolvimento marcado desse modo.

Autistas com frequência rejeitam o toque físico, não gostam de manter contato olho-a-olho, e optam muitas vezes por uma existência isolada, focada mais em sensações físicas e no interesse por objetos que na vida social, diferentes da maioria das pessoas que não apresentam o transtorno.

Isso desafia enormemente as habilidades, e até mesmo a auto-estima de quem convive com essas pessoas. Uma das características que mais nos define enquanto espécie é sermos gregários. O Homo Sapiens é frequentemente descrito como um “animal social”. Ser confrontado com uma pessoa que parece não precisar do outro, renunciando de modo aparentemente deliberado ao contato social nos conduz a questionar a nossa natureza, e as nossas possibilidades, de uma maneira radical.

Isso, somado ao fato de a maioria das pessoas autistas não apresentarem nenhum sinal externo que as distinga das demais, como os olhos “orientais” das pessoas com síndrome de Down, por exemplo, levou gerações de terapeutas a formularem a hipótese de que o autismo seria um transtorno psicogênico, ou seja, causado por relações adoecedoras em um momento crítico do desenvolvimento.

Essa noção, apesar de já haver sido descartada há muito tempo por pesquisas que apontam para alterações estruturais e funcionais no cérebro de pessoas autistas, além de evidências de uma origem genética, ainda hoje surge em palestras e cursos, angariando a atenção tanto de estudantes de profissões da área da saúde quanto de pais, em busca de informações sobre o tema.

A ideia de que o autismo é causado por maus pais é uma das mais perniciosas da história da psicologia. Ela levou muitos pais a venderem seu patrimônio para pagar anos de psicoterapia, destinada a curar um mal fictício, em seu funcionamento psíquico, que pudesse haver causado o autismo de seus filhos, de modo que ele pudesse ser revertido.

A partir do desenvolvimento de técnicas de mapeamento do cérebro por imagem, que passaram a ser utilizadas de modo mais intenso nos anos 90 do século passado, como as Imagens de Ressonância Magnética Funcional (fMRI), pudemos ver o cérebro de ângulos inéditos até então. Assim se pôde observar que os autistas usam o cérebro de um modo diferente do que usamos. Por exemplo: Áreas que normalmente são ativadas pela interação de uma pessoa com objetos, em pessoas com autismo, ativam-se na relação com pessoas.

O Autismo, porém não acontece sempre do mesmo modo com todas as pessoas. Na verdade suas manifestações são tão diversas, que hoje se fala que o autismo é um protótipo, ou paradigma, ou seja, um grupo de características comuns a vários transtornos diferentes.

Algumas pessoas com autismo (entre 25% e 30%, dependendo do estudo), nunca desenvolvem a fala; Este número era até maior uma década atrás, quando havia menos informação disponível para a realização de diagnósticos precoces (50%).

Outras pessoas autistas falam, e muito, mas usando a fala para repetir diálogos de programas de televisão, ou para assuntar sobre temas de sua preferência, com frequência ignorando o interesse do interlocutor.

Outros ainda usam a fala para se comunicar, mas são autocentrados, focados em seus interesses, e frequentemente considerados “egoístas” ou “insensíveis” às necessidades comunicativas do outro.

Talvez seja esse o caso de alguns professores que tivemos, do tipo que “sabe muito, mas não sabe transmitir conhecimento”. Especula-se que Albert Einstein houvesse sido um destes autistas “sub-clínicos”, dentre outros gênios, focados nos fenômenos do mundo físico, e profundamente deslocados quando se trata de relacionamentos.

Pessoas como estas frequentemente casam e constituem família, e são reputados como “donos da verdade”, “cabeças-duras”, ou “turrões”, controlando os rumos da família com mãos de ferro. Só percebem que algo está errado quando um de seus filhos, ou netos, desenvolve um autismo clinicamente detectável, o que acontece com freqüência, e é um ótimo exemplo de o quanto o autismo tem raízes genéticas e hereditárias.

De fato, o autismo é um dos transtornos de maior herdabilidade que se conhece.

Em resumo: o autismo é um transtorno de espectro, o que significa que ele varia em gênero e grau. Há vários níveis de gravidade, e muitas maneiras diferentes com que o autismo se manifesta, mas todos eles têm problemas em três áreas fundamentais: 1) Interação Social, habilidades para iniciar e manter relacionamentos, ou mesmo de compreender as regras implícitas em qualquer relação; 2) Comunicação Social, habilidades para transmitir e compreender mensagens em um sistema simbólico compartilhado, seja ele verbal ou mesmo gestual; e 3) Interesses e Atividades, que em pessoas autistas são restritos, estereotipados e repetitivos.

O Autismo, para além de ser apenas uma doença, é um modo de ser. Acontece muito cedo na vida de uma pessoa, e atinge de modo abrangente todas as áreas de seu desenvolvimento. O diagnóstico é dado tradicionalmente entre o segundo e o terceiro anos de vida, mas alguns sinais estão presentes desde as primeiras semanas de vida.

Pesquisas recentes apontam para a possibilidade de haver uma deficiência no sistema neurônios-espelho, um grupo de células no cérebro que se ativa quando vemos uma outra pessoa se comportando.

Os neurônios-espelho são considerados tão importantes para a psicologia quanto o DNA o foi no século passado para a biologia. Eles são a base biológica da empatia.

Pessoas autistas possuem menos neurônios-espelho, bem como, entre estes neurônios, menos ligações. Por este motivo apresentam dificuldades em participar da vida social.

No entanto, certamente por motivos compensatórios, aqueles dentre os autistas que possuem a inteligência e a fala mais preservadas, tendem a estabelecer relações entre eventos e objetos do mundo físico que estão muito além do alcance de inteligências focadas no mundo social.

Enquanto os nossos cérebros empregam quase toda a energia disponível na elaboração da complexa dança social que caracteriza as nossas vidas, os cérebros autistas muitas vezes pernoitam tentando extrair as leis que regem o movimento das estrelas.

Uma última reflexão evolutiva: se os autistas não foram eliminados pelas leis inexoráveis da evolução, há de haver, em seu modo de funcionamento, benefício para a nossa espécie como um todo. Um certo Homo Sapiens primitivo, não devia ser dos mais sociais. Devia ser um nerdinho fracote, que não era considerado forte o suficiente para ir caçar com o bando. Ficou na caverna, girando umas pedras. Girou-as tantas vezes e com tanta habilidade, que inventou a roda.

Fonte: autismobrasil.org

18 November 2015 - Por Fabiane Klann Baptistoti Sá – Fonoaudióloga clínica e Mestre em Linguística.

Habilidades diferenciadas: Caminho a ser estimulado!

Primeiro vamos entender o conceito de habilidade que é a qualidade ou a característica de uma pessoa. Essa qualidade possibilita que a pessoa domine uma ação realizando-a diferentemente das demais pessoas.

Na criança com autismo observamos no decorrer do seu desenvolvimento as chamadas ilhas de habilidades, ou seja, habilidades preservadas ou altamente desenvolvidas em certas áreas que contrastam com os déficits gerais de funcionamento da criança.

Essas ilhas de habilidades especiais podem ser observadas nas:

– Habilidades Musicais – geralmente relacionadas a pianos, alguns autistas podem tocar sem nunca ter sido ensinado.
– Habilidades Artísticas – como capacidade de desenhar, pintar e esculpir.
– Habilidades Matemáticas – capacidade de trabalhar com complexas somas de cabeça ou calcular datas do calendário.
– Outras Habilidades – Capacidade de saber as horas sem consultar um relógio, incrível senso de direção e memorização de mapas.
Cerca de 10% das crianças com autismo irão apresentar tais ilhas de habilidades. Esse fato pode ser explicado por diferentes visões

– o processamento de a informação estar voltado para detalhes em detrimento de ver a imagem como um “todo” (teoria da coerência central);
– regiões encefálicas que estão envolvidas na percepção são altamente funcionais (teoria do alto funcionamento perceptivo);
e a preferência para processar detalhes.
Os pais muitas vezes são os primeiros a reconhecer na criança tais habilidades, em idade precoce, e ficam fascinados ao ver seus filhos identificando letras e números, apresentando memória espacial ao identificar caminhos que fazem da sua casa à escola, para o consultório ou para a casa de um parente entre outras habilidades.

Quando nós terapeutas estamos diante de uma dessas habilidades, precisamos prestar atenção para que possamos incluí-las dentro do processo terapêutico através de atividades que nos proporcionem chegar a nossa meta principal, no caso dos fonoaudiólogos, a comunicação!

Essas habilidades podem nos apontar um futuro profissional. Temos já vistos casos de pessoas com autismo que se tornaram cartunistas por suas habilidades em desenho. Empresas procuram por pessoas com autismo pela sua atenção a detalhes, outras pelas habilidades em trabalhar com computadores e softwares conseguindo encontrar e resolver rapidamente problemas nessa área.

Porém o mais importante de tudo isso é compreender que essas habilidades demonstram uma possibilidade de novas aprendizagens e um caminho para uma possível autonomia!

Fonte: www.paisdeautista.com

03 November 2015 - Por Equipe Capeia Azul

Autista cria livro e rádio para divulgar transtorno

Quieto, distraído, fazendo movimentos repetitivos. Essa é a imagem que a grande maioria das pessoas tem dos autistas. Além do estereótipo, a falta de informação e o acesso gratuito a especialistas restrito ainda dificultam o diagnóstico e o desenvolvimento dos autistas no Brasil.
“No ABC não tem praticamente nada. Temos de ir para São Paulo achar especialistas e é tudo particular”, destacou André Luiz Pinheiro, 41 anos, morador de Santo André, autor do livro O mistério de Palhaço Azul e criador da webrádio Xiririca. O autismo é definido como um transtorno global do desenvolvimento com características básicas, como inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.
Pedagogo, pós-graduado em educação infantil, educação ambiental e agora concluindo a especialização de educação inclusiva, Pinheiro é exemplo de como o diagnóstico da doença ainda é difícil e de que os autistas podem viver normalmente. “Só fui diagnosticado aos 40 anos. As pessoas desconfiavam e me indicavam que deveria procurar ajuda. Fiquei dois anos procurando vários médicos até receber o diagnóstico”, destacou.
Pinheiro ressaltou que desde os 2 anos apresenta sinais, mas que como entrou na escola e se formou normalmente as pessoas só o consideravam um garoto estranho. “O que senti quando recebi o diagnóstico? Alívio. Eu, diagnosticando e fazendo tratamento, já sinto uma melhora muito grande, mesmo tardio”, pontuou.
O pedagogo se encaixa no perfil da Síndrome de Asperger, transtorno do espectro autista. Normalmente, os pacientes com esse perfil se distanciam da imagem clássica do autista. “Muita gente por aí tem e não sabe. Teve gente que falou que achava impossível eu ser autista, pois fiz faculdade. Converso com muitas pessoas autistas e cada uma é de um jeito diferente, varia bastante. A única característica igual para todos é o problema com interação social”, ressaltou.
Pinheiro acredita que o mito em torno da doença, a falta de informação, ajuda a assustar os pais, que recebem o diagnóstico dos filhos com desespero. “Tem gente que acha que autista não pode namorar, casar, que não vai conseguir estudar”, afirmou. Com ajuda da internet e de campanhas de conscientização, o pedagogo percebe que muitas pessoas têm conseguido o diagnóstico ainda na infância. No entanto, aponta que o sistema público de saúde não oferece o mínimo para que o diagnóstico e o tratamento ocorram nas famílias sem condições financeiras.

Livro
Pinheiro destacou que a fase mais difícil de superar foi a adolescência. É sobre essa etapa que o pedagogo conta em seu livro, O mistério do Palhaço Azul, lançado pelo Clube de Autores. A autobiografia traz as dificuldades da época em que não sabia que era autista, sua busca por ajuda e sua transformação após o diagnóstico. “Quero passar esperança para as pessoas, que é possível o autista se desenvolver e viver normalmente.”
Fazendo apresentações como palhaço Pinheiro viu a oportunidade de trabalhar seus problemas de comunicação, uma forma de se abrir para um mundo de extroversão que muitas vezes se distancia do autista.

Outra atividade que André desenvolve é na webrádio Xiririca, onde junta música e informação, contando sua história e ajudando a divulgar o autismo. A rádio já possui mais de 8 mil acessos, com uma média de visitação diária de 200 acessos e fica 24 horas no ar. A rádio pode ser ouvida pelo endereço www.radioxiririca.com.br e o livro, impresso ou em versão digital, pode ser adquirido pelo site www.clubedeautores.com.br

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