Ensino de Empatia na Formação de Estudantes de Medicina

2017-05-09 00:00:00.0 - Professora Denise Mello

O mundo está em constante mutação e as pessoas também. No presente século, a tecnologia se faz presente em todas as dimensões da vida humana e tem alterado estilos de vida, formas de pensar e se relacionar. Em meio a essas transformações, as relações humanas também têm mudado e deixado os laços sociais mais frágeis e fáceis de serem desfeitos.

No campo do trabalho em saúde, esse cenário contemporâneo tem sido beneficiado pelo advento tecnológico ao propiciar uma margem maior de acertos em termos de diagnósticos e condutas. Mas, apesar disso, há uma queixa generalizada de insatisfação em torno dos atendimentos realizados.

No universo médico, essa realidade não é diferente. A relação do médico com o paciente também se modificou e, na tentativa de resgatar princípios e valores que sempre a nortearam, as Novas Diretrizes Curriculares para os Cursos de Medicina propõem estratégias para repensar modelos de formação, procurando aproximar o estudante das pessoas, das situações reais de vida, com vistas a diminuir a distância entre o médico e a realidade social na qual seus pacientes estão inseridos.

O Curso de Medicina da Redentor, visando cumprir com esses objetivos e por acreditar nessas propostas, tem investido no desenvolvimento de metodologias ativas de aprendizagem para otimizar o desempenho dos alunos. Um exemplo é o ensino de empatia, no componente curricular de Psicologia Médica. A empatia pode ser brevemente descrita como a capacidade de se colocar no lugar do outro. No entanto, ao invés do que circula na visão do senso comum, que a caracteriza como pura emoção, a empatia também apresenta a dimensão cognitiva, motivacional e comportamental. Em outras palavras, a empatia pode ser desenvolvida utilizando-se um conjunto de elementos que envolvem a escolha pessoal por uma conduta empática, o reconhecimento de seu benefício para relações saudáveis e de sua importância para a humanização dos atendimentos. Pesquisas demonstram que a empatia na relação médico paciente produz sensações de confiança e segurança, que são elementos imprescindíveis a adesão ao tratamento e às condutas terapêuticas propostas pelo médico. Em última análise, aumenta o nível de satisfação do médico no ato de cuidar e do paciente que se sente acolhido.

Inspirados em experiências exitosas, o Curso tem compreendido que, ao contrário de outros conteúdos que se podem aprender fazendo, a empatia pode se aprender sentindo. Atividades teóricas e práticas são desenvolvidas e, em uma delas, propõe-se aos alunos que simulem, por algum tempo, ser portador de uma deficiência física, permanente ou transitória, procurando vivenciar, de um modo mais real possível, as situações do cotidiano dessas pessoas. Os resultados dessa experiência já foram apresentados em dois congressos da ABEM, especialmente pela relevância dos efeitos produzidos nos alunos em seu dia a dia. Um aluno comentou que depois dessas atividades percebeu a turma mais cooperativa uns com os outros. Outro mencionou que se sente melhor quando consegue se colocar no lugar das pessoas e perceber melhor o que elas pensam e sentem.

Resgatar a empatia nas relações é uma necessidade de todos nós, mas para os profissionais de saúde que estamos formando é uma urgência.